Apenas um jeito para amar
Rasgar os invólucros da pele
Para aceitar e ser, não um outro,
Mas a si mudo no medo indecifrável
Na hipnose que transfere
Ao vapor d'água a nuvem espessa
Num repente, num instante ao avesso
Quando as estações perderam
Seu ritmo natural
E tu dissestes amanhã talvez o tempo mude
Suspirou breve, distraído,
Num tom sem profecia, quem sabe milagre.
É lento, leve e miúdo
O que não se diz mas pressente
Um grão de eternidade
Num apenas jeito de calar
Continuar num tempo imóvel
Suspenso das coisas que passam
Das criaturas que passam
Na verdade que possa expressar
Que a verdade do ser é ter-sido.
Sábado, Fevereiro 07, 2009
Quinta-feira, Outubro 02, 2008
Terceira Margem
Numa canoa rio afora
rio, no meio-fio navego
sem rota dilatando
por trás da memória
o inscrito do nome
arrastando na curva
a rosa improvável
onde carrega o rio
as águas fluídas
da breve efêmera paragem
de estar na mancha do silêncio.
Mas a travessia do infinito
lastro remonta contínua
cantos nas rosas da voz
No romper solto da fantasia
o brilho do salto do cisne
seu ser vegetal
sabe do gesto fugidio
do gesto que não fere a magia
das águas afora do meio-fio
onde o traço abre
e só o coração fala.
rio, no meio-fio navego
sem rota dilatando
por trás da memória
o inscrito do nome
arrastando na curva
a rosa improvável
onde carrega o rio
as águas fluídas
da breve efêmera paragem
de estar na mancha do silêncio.
Mas a travessia do infinito
lastro remonta contínua
cantos nas rosas da voz
No romper solto da fantasia
o brilho do salto do cisne
seu ser vegetal
sabe do gesto fugidio
do gesto que não fere a magia
das águas afora do meio-fio
onde o traço abre
e só o coração fala.
Sábado, Março 01, 2008
Canto de ondas, um mar em reflexos
Está lacrado o laço destilado do dizer
Andarilho de quais saberes?
Além partículas
Além do menino que pisa palavras do chão
E silencia num véu de areia
Constelações de medo e comunhão
Caminha no espaço sem flor
Desmanchando ao avesso
Pelo oco externo mundo
Caminha contornando a terra
Ao desfazer o laço no traço
Numa mesma curva
Reencontra a eternidade.
Está lacrado o laço destilado do dizer
Andarilho de quais saberes?
Além partículas
Além do menino que pisa palavras do chão
E silencia num véu de areia
Constelações de medo e comunhão
Caminha no espaço sem flor
Desmanchando ao avesso
Pelo oco externo mundo
Caminha contornando a terra
Ao desfazer o laço no traço
Numa mesma curva
Reencontra a eternidade.
Constelação
Há mais cores nas primeiras
Límpidas camadas esverdeadas
O sabor vem da terra com o vento
Esvai como um zunir
Nas vésperas da manhã
Ao nascerem grafias num alfabeto mudo.
Límpidas camadas esverdeadas
O sabor vem da terra com o vento
Esvai como um zunir
Nas vésperas da manhã
Ao nascerem grafias num alfabeto mudo.
Sexta-feira, Fevereiro 22, 2008
E prenhe de inspiração
Ao toque de pêra nos lábios
Semear os cílios afogados
No improviso de dois lados
: olhar
Num sopro atende ao lado da alma
semi-nítida sendo
Cada gesto no ar é mais enigmático
Do que as palavras que se fazem nas curvas
Em movimentos lentos suavizar
O ser em sua serpente de cascatas
Vermelho alaranjada
Dentro do território o contorno da harpa
Da morada de grotas
Ousar sair do casulo.
Ao toque de pêra nos lábios
Semear os cílios afogados
No improviso de dois lados
: olhar
Num sopro atende ao lado da alma
semi-nítida sendo
Cada gesto no ar é mais enigmático
Do que as palavras que se fazem nas curvas
Em movimentos lentos suavizar
O ser em sua serpente de cascatas
Vermelho alaranjada
Dentro do território o contorno da harpa
Da morada de grotas
Ousar sair do casulo.
Quarta-feira, Novembro 14, 2007
Irredutível
A aparência imóvel
de um entardecer
passa em vitrais
ergue distâncias
na terra alimentando
os mitos origens
outra morada mineral
da almas cheias de cortes.
Manchas em valsas
no dia em que nada condensa
as voltas do traço.
Qual tempo de tudo passar
ao dizer: feridas são as palavras
subtraidas dos esquecimentos
ao deixarem suspensas
esse gesto rompendo a pele
de um entardecer
Esse gesto de abismo
que rasga o paladar mais mudo
o silêncio extinto.
de um entardecer
passa em vitrais
ergue distâncias
na terra alimentando
os mitos origens
outra morada mineral
da almas cheias de cortes.
Manchas em valsas
no dia em que nada condensa
as voltas do traço.
Qual tempo de tudo passar
ao dizer: feridas são as palavras
subtraidas dos esquecimentos
ao deixarem suspensas
esse gesto rompendo a pele
de um entardecer
Esse gesto de abismo
que rasga o paladar mais mudo
o silêncio extinto.
Segunda-feira, Setembro 24, 2007
Mar adentro
Tantas em mim sou
Ainda que uma sangre ou seque
Há na outra a voz do metal
Transpassa dentro
Nos ramos da voz
Entre parênteses líquidos
Da água de cântaro
Da água de barro
que molda e deforma dual
o ser que carrega a cidade
em seu ventre de espaços
que atam outras ilhas
das águas escorrendo
a superfície de pedras
e nos mudando a cada segundo
no gesto fugidio da paisagem.
Ainda que uma sangre ou seque
Há na outra a voz do metal
Transpassa dentro
Nos ramos da voz
Entre parênteses líquidos
Da água de cântaro
Da água de barro
que molda e deforma dual
o ser que carrega a cidade
em seu ventre de espaços
que atam outras ilhas
das águas escorrendo
a superfície de pedras
e nos mudando a cada segundo
no gesto fugidio da paisagem.
Olho no olho
alquimia das horas
onde algum pressentimento
suaviza quem não fui.
Agulhas cegas cerzindo os desgastes
prenhes de tudo, um rumor
que deixaria de ouvir
rumo as margens.
Eu se nego, espalho
em areia esse
ser marítimo
em rochas em pedras
ressoando entre dentes
saliva de duas metades.
Essa língua possui os dizeres.
Ele um amigo antigo da alma.
Quando ainda poderia abrir as janelas
ao ouvir as mesas postas de café
os lugares em que os destinos inalteram,
entre os barulhos das xícaras.
Num rasgo o princípio se desfaz
E é inútil dizer.
Esperar como um gesto.
Inútil dizer
o lado de cá
seu olhar que atenta e deriva
que tem no abandono das coisas
o silencio maior, tão estranho
do mesmo jogo calmo e místico.
alquimia das horas
onde algum pressentimento
suaviza quem não fui.
Agulhas cegas cerzindo os desgastes
prenhes de tudo, um rumor
que deixaria de ouvir
rumo as margens.
Eu se nego, espalho
em areia esse
ser marítimo
em rochas em pedras
ressoando entre dentes
saliva de duas metades.
Essa língua possui os dizeres.
Ele um amigo antigo da alma.
Quando ainda poderia abrir as janelas
ao ouvir as mesas postas de café
os lugares em que os destinos inalteram,
entre os barulhos das xícaras.
Num rasgo o princípio se desfaz
E é inútil dizer.
Esperar como um gesto.
Inútil dizer
o lado de cá
seu olhar que atenta e deriva
que tem no abandono das coisas
o silencio maior, tão estranho
do mesmo jogo calmo e místico.
Sexta-feira, Junho 29, 2007
Miragem
Liberdade no azul do pano
pouso sereno em que a luz
Atraiçoa o desejo
Cerco de fios internos
Como Estige, corria sem
Direção e retornava,
Traçava o mesmo caminho
Levando consigo destinos.
Histórias de nascentes são mitos
que carrego no ventre.
O condão de me despossuir nas correntezas,
na certeza do filho perdido
a espera que funda a paciência.
Para a casa o porto de cada objeto
a sala de jantar a ossadura
das cadeiras na espera de um corpo
Para qualquer pouso a fuga
Tranqüila do pensamento do que imóvel
Cristaliza em corpo, miragem e cor.
pouso sereno em que a luz
Atraiçoa o desejo
Cerco de fios internos
Como Estige, corria sem
Direção e retornava,
Traçava o mesmo caminho
Levando consigo destinos.
Histórias de nascentes são mitos
que carrego no ventre.
O condão de me despossuir nas correntezas,
na certeza do filho perdido
a espera que funda a paciência.
Para a casa o porto de cada objeto
a sala de jantar a ossadura
das cadeiras na espera de um corpo
Para qualquer pouso a fuga
Tranqüila do pensamento do que imóvel
Cristaliza em corpo, miragem e cor.
Sexta-feira, Maio 11, 2007
Véspero
Vá vento vaguear
Pelos vestíbulos rosa crepom
Volte e arremesse teu ventre de delírios
Volte e arremesse teu ventre de delírios
Nas vésperas de algum sonho
Destilado em mar aberto
Ouça o ruído isolado
Concreto após o contorno do silêncio
Branco e fino o contorno
Onde se banha e semeia
A alma cheia de ondas
Desaguando no papel.
Concreto após o contorno do silêncio
Branco e fino o contorno
Onde se banha e semeia
A alma cheia de ondas
Desaguando no papel.
Passos fora do dia
Na fotografia a montanha e a lagoa
As curvas das margens
Não são istmos geográficos
Cada margem não minimiza a mania
De querer extravasar
Fácil nesse impulso sobrepor asas
Em algum medo transformado
Sobrepor desejos sempre destoantes
Quando não se olha pela cidade
E os distraídos atravessam
A cidade que alguma vez morei
Hoje desatenta em mim somente passo.
As curvas das margens
Não são istmos geográficos
Cada margem não minimiza a mania
De querer extravasar
Fácil nesse impulso sobrepor asas
Em algum medo transformado
Sobrepor desejos sempre destoantes
Quando não se olha pela cidade
E os distraídos atravessam
A cidade que alguma vez morei
Hoje desatenta em mim somente passo.
Segunda-feira, Abril 02, 2007
Canção para Flora
Quando uma asa
Cai e cessa
Na ardência líquida
Misturas tênues
De algum secreto fluir
Escorre adentro
Feito o último irromper do gesto
que não fere a magia
Recostada em luz.
Quando no vento percorro
O vôo por fora do fio
Preparo os arranjos de tudo
que fomos. Fósseis enterrados
na floresta deserta oásis
Os ossos contando aos
Arqueólogos histórias
Entre papel papiro o mapa
por onde conchas soletravam
Segredos de antigamente.
* * *
Vê-la imóvel
Retendo
A fina membrana
Aspirando
cristais do mesmo
desejo orgânico.
* * *
Amanhece luz
a miragem pelo
choque de duas estações
faz-se casulo o arco.
* * *
Os ventos movem as águas
As águas contornando
Amplidão do horizonte
Nossa linha ainda cruza o mediterrâneo.
* * *
Faz-se manhã na queda
embranquece ao abrir,
lassidão em segundo
Tua voz que canta
pelas frestas do espaço.
Cai e cessa
Na ardência líquida
Misturas tênues
De algum secreto fluir
Escorre adentro
Feito o último irromper do gesto
que não fere a magia
Recostada em luz.
Quando no vento percorro
O vôo por fora do fio
Preparo os arranjos de tudo
que fomos. Fósseis enterrados
na floresta deserta oásis
Os ossos contando aos
Arqueólogos histórias
Entre papel papiro o mapa
por onde conchas soletravam
Segredos de antigamente.
* * *
Vê-la imóvel
Retendo
A fina membrana
Aspirando
cristais do mesmo
desejo orgânico.
* * *
Amanhece luz
a miragem pelo
choque de duas estações
faz-se casulo o arco.
* * *
Os ventos movem as águas
As águas contornando
Amplidão do horizonte
Nossa linha ainda cruza o mediterrâneo.
* * *
Faz-se manhã na queda
embranquece ao abrir,
lassidão em segundo
Tua voz que canta
pelas frestas do espaço.
Quarta-feira, Março 21, 2007
Estrangeiro
Em mim o outro lado
metade enigma quando do atlas
os países me acobertam em ruas
embandeiradas de meus refúgios.
O gosto de nata nas algas de alguns sonhos,
como se ao abrir a janela as neblinas fossem
respostas das antigas máscaras, da sinceridade
amanhecendo azul e alguma ilusão de calma
recordasse a expressão branca do último personagem
que morreu em mim. Antes da gaveta aberta o outono
quase-memória escorrendo por tudo que ainda não fui,
mas é vida esse elo perdido, dentro de mim o rosto
a espera da mão que adormecerá meu sonho.
metade enigma quando do atlas
os países me acobertam em ruas
embandeiradas de meus refúgios.
O gosto de nata nas algas de alguns sonhos,
como se ao abrir a janela as neblinas fossem
respostas das antigas máscaras, da sinceridade
amanhecendo azul e alguma ilusão de calma
recordasse a expressão branca do último personagem
que morreu em mim. Antes da gaveta aberta o outono
quase-memória escorrendo por tudo que ainda não fui,
mas é vida esse elo perdido, dentro de mim o rosto
a espera da mão que adormecerá meu sonho.
Sábado, Março 17, 2007
Sábado, Março 10, 2007
ao que temia descortinar
primeiro véu
cetim na luz desdobrada
nos ocos das horas:
metal. Os olhos cerram
espiralados e preservam
o madrugar da memória:
amanhece.
Não éramos mais que
palavras guardadas
nos ramos do silêncio.
para as trilhas
a tentativa do mesmos
caminhos
dos mesmos toques
sobre a pele
em silêncio
não anunciando à solidão.
Domingo, Março 04, 2007
Ciscos vegetais na índole
Violeta semeiam
Partidas.
Múltiplo será não retornar
A guisa de ramas
Ao coração.
Seca a ferida por séculos
estilhaçados
Do que não se concretiza:
Depois da tempestade
Tudo parece
Calmo: um folha
pousa leve no chão.
Violeta semeiam
Partidas.
Múltiplo será não retornar
A guisa de ramas
Ao coração.
Seca a ferida por séculos
estilhaçados
Do que não se concretiza:
Depois da tempestade
Tudo parece
Calmo: um folha
pousa leve no chão.
a voz do poeta vem
no murmúrio único
se engaiola e ecoa
fronte a ferida em queda.
Vem enredada remota
inaudível
filamento de silêncio
rasgando memórias.
A voz do poeta se refaz
no silêncio.
estranho a concha cegamente
abrir o dia em luz
arder o coração
e manhãs
ao sangue de pequenos
passos nos ossos da preguiça.
pré-escrever madeiras
envelhecidas nas cercanias
de antigos quintais
no ombro conchas
de pêssegos
existidos nas asas dos cílios
sonhos arrefecidos por chuvas.
lírios estancam
paisagem e sertão
o hábito emaranhado
em rachaduras
por elas escuro,
seco como pupila
em brisa,
mapas em pairo
carvão pedras
jasmins, musgos
borboletas
cada coisa em seu
concerto
só minha alma
sem conserto
vai mais fundo.
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